sexta-feira, 6 de maio de 2016

Graduação em Serviço Social: a cada dia vale mais a pena


Imagem do Google: http://migre.me/tHTnT



Em 2010, conheci o Curso Popular de pré-vestibular Quilombo Do Orobu. Espaço qual, ao longo desses quase 6 anos de vivência, vem me mostrando alguns dos instrumentos necessários para uma formação cidadã, consciente, libertária e representativa no sentido das questões ali discutidas, refletidas coletivamente.


Foi a partir daquele espaço que optei por um curso qual, dialoga direta e/ou indiretamente com as inquietações provocadas nas mentes de pessoas que compreendem esta sociedade como meio de possibilidades, contudo, cheia de contradições e obstáculos, sobretudo, para quem faz parte da classe social economicamente desfavorecida, já predestinadas (nas mentes de um determinado grupo social), a viver em condições de subserviência, principalmente em função da sua orientação sexual, geração, e, dentre outros marcadores sociais, em particular, pela cor da sua pele.


Contrariando o racismo e o público elitista de uma sociedade que volta o seu discurso para a ideia de MERITOCRACIA como única possibilidade de alcançar os objetivos da vida, sem levar em conta que OPORTUNIDADES são relevantes para almejar determinados sonhos,  refiro-me ao curso de Graduação em Serviço Social da Universidade Federal da Bahia, que desde o segundo semestre de 2012, período qual ingressei nesta Universidade, vem contribuindo para reforçar ainda mais o quanto estamos aquém de vivenciar uma realidade social onde todos/as  tenham, de fato, seus direitos fundamentais respeitados, conforme preconizado pela Constituição Federal de 1988.


A medida que o tempo passa, compreendo que minha escolha profissional não desaponta minhas expectativas do ponto de vista  daquilo que ainda falta para estarmos no topo das conquistas, ou seja, não se trata de uma profissão que está para dar conta de todas as demandas (riscos sociais) emergentes na sociedade. Escolher fazer parte desta categoria profissional, é entender, antes de tudo, que não somos salvadores/as da Pátria, e, portanto, temos limitações desde a formação que dependem de docentes, discentes, técnicos administrativos, do poder público e da sociedade civil para serem ultrapassadas.

Posto isto, acredito que a nota máxima destinada ao nosso curso pelo Ministério da Educação (MEC) reflete os encantos e desafios desta formação/profissão, uma vez  que aumenta sim a nossa responsabilidade e compromisso em aprimorar cada vez mais o processo organizativo, formativo e  sociopolítico do nosso curso, seja em Universidade pública,particular ou á distância.

Esclareço a tempo que não se trata de uma responsabilidade que pesa, mas sim, daquela que reflete o referencial que nos tornamos, com visibilidade a nível nacional, demonstrando que somente na luta coletiva somos capazes de levantar a taça da vitória.

Reflete, portanto, o respeito, a qualidade e responsabilidade da formação nos termos dos princípios do Código de ética profissional, ainda que as condições de trabalho e de estudos não estejam dentro do ideal.

Por isso, sou ainda mais orgulhosa em fazer parte deste curso,cujo número considerável é de estudantes negros/as, que vivenciam realidades duras de vida em busca de transformação e  protagonizam, aos trancos e barrancos suas histórias.

Que continuemos mobilizados/as por uma formação comprometida com a  ética, liberdade, democracia e equidade.

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